Barry Horne

 

BarryHorne_thumb.gifBarry Horne (de 1952 a cinco de novembro de 2001) foi um dos ativista britânico  mais engajado na luta pelos direitos dos animais.Horne morreu de insuficiência hepática no Ronkswood Hospital, Worcester, em novembro de 2001. Sua morte ocorreu após uma série de greves de fome levadas a cabo enquanto ele cumpria pena de 18 anos por implantar dispositivos incendiários em lojas que vendiam produtos animais – a mais longa sentença decretada a qualquer ativista dos direitos dos animais pelos tribunais britânicos.


Horne disse que estava disposto à própria fome para persuadir o governo britânico a realizar um inquérito público sobre testes em animais – algo que o Partido Trabalhista tinha prometido mas não conseguiu fazer quando atingiu o poder, em 1997. Quando morreu aos 49 anos de idade, Horne não comia há 15 dias, mas já estava enfraquecido por greves de fome que tinha feito anteriormente, sendo que a mais longa ocorreu em 1998, quando Horne passou 68 dias sem comer, o que danificou sua capacidade visual e renal.

A reação da mídia à sua morte foi hostil, em especial no Reino Unido, onde foi largamente descrito como um “terrorista”. Dentro do movimento dos direitos dos animais, não só no Reino Unido como ao redor do mundo, ele continua a ser encarado como uma inspiração e um mártir.

 

Ativimo Precoce

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Um refuse collector (profissão sem tradução para o português – é algo como engenheiro sanitário, alguém que planeja ou faz pessoalmente o recolhimento ou a retirada de resíduos de embalagens para mandá-los para a reciclagem ou aterro, parecido com um gari), Horne interessou-se pelos direitos dos animais com 35 anos, quando sua segunda mulher, Aileen, o persuadiu a assistir uma assembléia de libertação animal. Depois de ver vídeos de testes feitos em animais, ele decidiu se tornar vegetariano e um sabotador de caças. Horne tornou-se ativo durante a primavera de 1987, no Northampton Animal Concern, que organizou uma incursão em um laboratório da Unilever e piquetes em frente à Beatties, uma loja de departamentos que vendia casacos de peles.

 

Ativismo na A.L.F. (Animal Liberation Front, ou Frente de Libertação Animal) e na A.R.M. (Animal Rights Militia, ou Milícia dos Direitos dos Animais)

 

Rocky, o golfinho

 

BarryHorne-with-Rocky1.jpgHorne começou a chamar a atenção pública em 1988, quando tentou salvar Rocky, um roaz corvineiro (uma das mais comuns e conhecidas espécies de golfinho) capturado em 1971 em uma região no oeste do estado americano da Flórida, a Florida Panhandle. O golfinho foi mantido durante 20 anos – sozinho, durante a maior parte do tempo – em uma pequena piscina de concreto na Marineland, uma parte do Resort Urbano conhecido como Morecambe (esse resort fica na cidade de Lancaster, no distrito de Lancashire, na Inglaterra).

 

Horne, juntamente com outros quatro militantes, planejou mover Rocky, que pesavaBarryHorne-with-Rocky2.jpg aproximadamente 113 quilos, a partir da piscina para o mar, usando uma escada de mão, uma rede, uma maca feita em casa e um Mini Metro (um minicarro) alugado.

 

Horne e seus amigos já tinham visitado o aquário dos golfinhos – o golfinário – secretamente à noite, ocasião em que entraram na piscina com o golfinho em um esforço para conhecê-lo. No entanto, na noite da ação, quando chegaram à piscina com o seu equipamento, eles perceberam que a logística da operação estava além da sua capacidade, e saíram do local sem Rocky. Uma viatura da polícia parou-os no caminho de volta para o carro, que continha uma grande maca para golfinhos para a qual, conforme um dos próprios ativistas disse, “nós não tínhamos nenhuma explicação legítima.” Depois de cinco dias de julgamento, eles foram condenados por conspiração para roubar o animal. Barry Horne, Jim O’Donnell, Mel Broughton, e Jim Buckner foram multados em 500 libras(aproximadamente R$1.900,00), e para Horne e Broughton foi dada uma pena adicional de seis meses, que acabou sendo suspensa.


Horne e os outros continuaram em sua missão de libertar Rocky, e em 1989 lançaram a Campanha Golfinário Morecambe, fazendo piquetes no golfinário, entregando panfletos aos turistas, e organizando comícios e lobbies na câmara municipal. Depois de parar de ganhar dinheiro com a venda de entradas, a gestão de Marineland finalmente concordou em vender o golfinho por 120.000,00 libras esterlinas (aproximadamente R$ 456.000,00), dinheiro que os ativistas levantaram com a ajuda da Fundação Born Free e do jornal britânico Mail on Sunday que, em 1990, lançou a campanha “Into The Blue” para liberação dos golfinhos em cativeiros britânicos. Em 1991, Rocky foi transferido para uma lagoa de80 hectares em uma reserva nas Ilhas Turcos e Caicos (territórios britânicos no mar do caribe) e, em seguida, liberado. Dentro de dias Rocky foi visto nadando com um bando de golfinhos selvagens.


Peter Hughes, da Universidade de Sunderland, cita a campanha de Horne como um exemplo de como promover uma campanha sobre direitos dos animais criando uma mudança paradigmática de perspectivas no Reino Unido, no sentido de que os golfinhos, após a campanha de Horne, passaram a ser vistos como “atores individuais” que devem ser vistos em seu ambiente selvagem pelos turistas que querem interagir com eles. Como resultado, escreve Hughes, agora não existem mais golfinhos em cativeiro no Reino Unido.

 

Invasão na Harlan Interfauna

 

Juntamente com Keith Mann e Danny Attwood, Horne foi parte de uma pequena célula250px-Hornebeagles.jpg da A.L.F. que invadiu a Harlan Interfauna – uma empresa britânica de Cambridge que fornece animais e órgãos de laboratório – em 17 de março de 1990. Os ativistas entraram na unidade animal da Interfauna através de furos no telhadovazado, removendo 82 cães da raça Beagle e 26 coelhos. Eles também retiraram documentos que listavam os nomes dos clientes da Interfauna, entre os quais estavam a Boots (Boots Company PLC, cadeia de farmácias presente em todo o Reino Unido), a Glaxo (GlaxoSmithKline plc, compania farmacêutica, biológica e de cuidados com a saúde em geral), a Beechams (outra compania farmacêutica), o Centro de Investigação de Huntingdon (empresa contratada para realizar testes em animais), bem como uma série de universidades.

Um veterinário que apoiava a A.L.F. removeu tatuagens que os cães resgatados traziam nas orelhas, e eles foram espalhados por novas casas em todo o Reino Unido. A partir de indícios encontrados no local invadido e nas casas dos ativistas, Mann e Attwood foram condenados por conspiração para assalto, e em seguida condenados a nove e a dezoito meses, respectivamente.

 

Invasão no Exter College

 

Horne integrou um grupo de manifestantes que atacou uma Conferência sobre Pesquisa m Animais, realizada no Exeter College, em Oxford. Depois de lutar com a polícia para entrar no salão em que era realizada a conferência, eles derrubaram mesas e esmagaram 50 garrafas de vinho Claret. Horne e cinco outros foram acusados de “desordem violenta”. 
A atitude de Horne pareceu endurecer na prisão. Em junho de 1993, ele escreveu no 
Support Animal Rights Prisoners Newsletter
 “Os animais continuam a morrer e as torturas passam a ser maiores e a acontecer em maior escala. As pessoas reagem a esta situação? Mais hambúrgueres vegetarianos, mais Special Brew e mais apatia. Já não há nenhum Movimento de Liberação Animal. Eles morreram há muito tempo. Tudo o que restou são muito poucos ativistas que se importam, que entendem e que agem… Se você não agir, então você tolera. Se você não luta, então você não ganha. E se você não ganha, então você é responsável pela morte e pelo sofrimento, que vai aumentar e aumentar.”

 

Firebombing e detenção 

 

De acordo com relatos, após sua libertação em 1994 Horne começou a trabalhar como uma célula humana clandestina. Keith Mann escreveu que a natureza do interesse policial em ativistas dos direitos dos animais era de tal ordem que trabalhar sozinho era mais seguro e, de qualquer maneira, Horne era um homem reservado, feliz em sair sozinho e fazer coisas, feliz por ser ele mesmo a colocá-las. 

Uma série de ataques noturnos de firebombs usando dispositivos incendiários de fabricação caseira ocorreram ao longo dos dois anos seguintes em Oxford, Cambridge, York, Harrogate, Londres, Bristol, bem como em Newport e Ryde, localidades da ilha inglesa “Isle of Wight”. Os ataques tinham como alvo filiais da Boots, da Halfords, bem como lojas que vendiam produtos de couro e lojas beneficentes em prol de pesquisas sobre o câncer. Alguns dos ataques foram reivindicados pela A.R.M., que abrigava ativistas menos dispostos a respeitar a política de não-violência da A.L.F. 

Mann escreve que não era necessário ser um gênio para deduzir que Horne tinha algo a ver com os ataques. Isso porque pouquíssimos ativistas concordavam com a implantação de dispositivos incendiários, e Horne era conhecido por ser um daqueles extremamente dedicados que o faria. Os policiais foram, portanto, observando-o de perto. De acordo com Mann, Horne sabia que seria capturado, mas ele viu o ativismo dos direitos dos animais como uma grande guerra, e ele estava disposto a se tornar uma baixa. 

Horne acabou sendo preso em julho de 1996 após plantar dois dispositivos incendiários no Shopping Broadmead, em Bristol – o primeiro em uma loja de caridade e o segundo na British Home Stores – ambos programados para explodir a meia-noite. A Polícia encontrou outros quatro dispositivos em seu bolso.

 

18 anos de pena 

 

O julgamento de Horne por incêndio culposo começou seis semanas após o final da segunda greve de fome, no dia 12 de novembro de 1997, na Corte Judicial de Bristol. Ele se confessou culpado quanto aos dispositivos plantados em Bristol, mas negou envolvimento nos ataques ocorridos na ilha de Wight. Apesar de não haver qualquer evidência direta que ligasse Horne com os incidentes na ilha, a acusação alegou que os dispositivos utilizados com sucesso em Bristol e na Ilha de Wight eram tão semelhantes que Horne deveria ser considerado como responsável pela autoria de ambos. Ele foi identificado em outras 14 manifestações, mas não respondeu por nada em nenhuma delas. 

Embora o tribunal admitisse que Horne não tencionava matar ou ferir alguém, o Juiz Darwall-Simon Smith descreveu-o como um “terrorista urbano” e, em 5 de dezembro de 1997, proferiu uma sentença que condenava Horne a 18 anos de pena, a mais longa já dada a qualquer ativista dos direitos animais. 

Graças à semelhança entre os dispositivos utilizados em Bristol e na Ilha de Wight, Horne também foi acusado de causar prejuízos estimados em 3 milhões de libras (aproximadamente R$ 11.424.560,00) destruindo um ramo das farmácias Boots, em Newport, no ano de 1994, porque a empresa testava seus produtos em animais. Ele ainda foi acusado de atear fogo em lojas de departamento da ilha que vendiam casacos de peles. No seu julgamento, ele admitiu as acusações sobre o que ocorreu em Bristol, mas negou envolvimento nos atentados na ilha de Wight, cuja autoria havia sido reivindicada pela A.R.M. Robin Webb, da acessória de imprensa do Animal Liberation, escreve que ele próprio por pouco escapou de uma conspiração que o acusou de ser o autor dos mesmos incidentes.

 

 

 

Greves da fome 

Primeira: 35 dias
  
Em 6 de janeiro de 1997, depois de estar preso já há seis meses pelos ataques com os dispositivos incendiários como um prisioneiro de categoria A, Horne anunciou que iria recusar todo alimento ao menos que o governo conservador de John Major se comprometesse a retirar o seu apoio à experimentação animal em um prazo de cinco anos. Como o partido trabalhista foi apontado como provável vencedor das eleições que se aproximavam – e que foram realizadas em maio de 1997 -, Horne terminou sua ação no dia 09 de fevereiro, após 35 dias sem comida, quando Elliot Morley, então porta-voz do partido trabalhista sobre o bem-estar dos animais, escreveu que “o partido trabalhista está empenhado em reduzir, e em eventualmente por fim, a vivisseção.”


A greve de fome deflagrou um aumento nas ações ativistas em prol dos direitos dos animais, incluindo: a remoção de gatos da fazenda Grove Hill, em Oxfordshire, que criava gatos para laboratórios; danos ao Centro Harlan de criação de animais e remoção de cães beagle do Canil Consort; a destruição de sete caminhões da granja Buxted em Northamptonshire; um bloqueio do porto de Dover e pesados danos a um McDonalds da cidade; e a remoção de coelhos que eram criados para vivisseção na Homestead Farm. 


Segunda: 46 dias
 
A segunda greve de fome teve início no dia 11 de agosto de 1997. O objetivo de Horne era fazer com que o novo governo trabalhista retirasse todas as licenças de experimentação animal dentro de um período de tempo a ser estipulado. Houve um outro aumento no número de ações ativistas, apoiando-o. Em 12 de setembro de 1997, protestos foram realizados em Londres e Southampton, no Reino Unido, em Haia, em Cleveland, Ohio, e na Universidade Umeå, na Suécia, onde ativistas tentaram atacar os laboratórios da universidade. Quatrocentas pessoas marcharam na Fazenda Shamrock, uma instalação que abrigava primatas perto de Brighton, trezentas no Laboratório Wickham, uma instalação experimental, e foram feitos piquetes nos escritórios do Partido Trabalhista, bem como na casa de Jack Straw, o Secretário de Estado. Ativistas montaram acampamento em frente ao Huntingdon Life Sciences na A1, em Cambridgeshire, cavando túneis subterrâneos para dificultar seu despejo. O Newchurch Guinea Pig Farm foi invadido em setembro e 600 cobaias foram removidas. 

Horne terminou a greve de fome em 26 de setembro, após 46 dias sem comer, quando Lord Williams de Mostyn, então ministro do Home Office e mais tarde procurador-geral, entrou em contato com os partidários de Horne e propôs fazer negociações entre eles e o governo. Esta foi a primeira vez que um membro do governo concordou oficialmente em falar com o movimento de libertação animal, o que foi visto por Horne e seus partidários como um importante passo a diante. 

Terceira: 68 dias 

A demanda de Horne e as negociações com o governo 

 

A mais longa greve de fome de Horne começou em 6 de outubro de 1998 e terminou 68 dias mais tarde, no dia 13 de dezembro. Ela trouxe a questão da experimentação animal para o primeiro plano da política britânica, enquanto a deterioração da condição física de Horne virou assunto para manchetes por todo o mundo, a medida em que ativistas diziam que as divisões também deveriam morrer, lançando ameaças de morte contra vários cientistas. 

Desta vez, as exigências de Horne eram extensas e específicas. Ele exigiu o fim da concessão de licenças que autorizavam experiências em animais, e a não renovação das licenças em curso; a proibição de toda vivisseção feita com finalidades não-médicas; um compromisso para acabar com todas as vivisseções em 6 de janeiro de 2002; um fim imediato em toda experimentação animal na instituição de defesa em Porton Down; e o fechamento do Animal Procedures Committee, um órgão consultivo do governo que Horne considerou como um “patrocínio do governo que leva a diante a indústria da vivisseção.” 

Ele emitiu uma declaração, que continua a ser citada pelo movimento como um grito mobilizador: 

A luta não é para nós, nem para os nossos desejos e necessidades pessoais. É para cada animal que tenha alguma vez sofrido e morrido nos laboratórios de vivisseção, e para cada animal que vai sofrer e morrer nesses mesmos laboratórios a menos que nós terminemos com esse negócio diabólico agora. As almas dos mortos torturados clamam por justiça, o grito da vida é pela liberdade. Nós podemos criar essa justiça e nós podemos entregar essa liberdade. Os animais não têm ninguém, apenas nós. Nós não vamos desapontá-los. 

Keith Mann escreve que, desta vez, Horne achou a greve de fome mais rígida, talvez por causa dos danos físicos causados pelas duas primeiras. Ele estava na ala D na prisão de Full Sutton inicialmente, e depois, no décimo dia sem comer, foi deslocado para a ala hospitalar, onde ele foi, conforme relatado, colocado na “cela greve da fome”, sem WC ou lavatório, com apenas uma cadeira e uma mesa de papelão. Ele foi transferido para uma cela normal após pressão dos seus defensores. Ele leu a extremunção no quadragésimo terceiro dia, depois de ter perdido 25 por cento de sua gordura corporal. 

O governo trabalhista recusou-se a ceder publicamente àquilo que chamou de chantagem e disse que não iria negociar com Horne ou seus partidários, mas reservadamente manteve conversações com eles. O membro do parlamento Tony Clarke, visitou Barry na prisão no dia 12 de novembro para negociar um outro encontro entre os partidários de Horne e o Home Office, que aconteceu dia 19 de novembro, depois de 44 dias de greve. Após a reunião, Horne divulgou uma declaração dizendo que nada de novo havia sido oferecido, e que sua greve de fome iria continuar. Ele então reduziu suas exigências pedindo uma Comissão Real sobre a experimentação animal, que o Partido Trabalhista tinha dito que constituiria se fosse eleito. 

No 46º dia de greve ele foi transferido para o General Hospital de York, sofrendo de desidratação depois de ter passado a semana vomitando. Até o 52º dia, conforme relatado, ele sofreu várias dores, encontrava problemas para enxergar, e corria perigo de entrar em coma. De acordo com Mann, os partidários de Horne foram levando-lhe gravações das conversações com o governo, nas quais ele mostrava dificuldades em se concentrar. Mann escreve que Horne decidiu tomar um pouco de suco de laranja e chá com açúcar por três dias, a fim de evitar o coma, de forma que ele pudesse compreender as negociações. Isto mais tarde induziu a mídia a referir-se à greve de fome de Horne como uma fraude.

 

Ativismo em apoio ao Horne 
  
Houve uma resposta internacional de ativistas, em apoio a Horne. Em York e Londres protestantes fizeram vigília do lado se fora do Hospital, e em frente à Casa do Parlamento em Westminster segurando velas, cartazes e fotografias de Horne. Às vezes, ao grupo se juntava Alan Clark, um membro “exibicionista” do parlamento, integrante do partido conservador e defensor dos direitos dos animais, o único membro do parlamento a oferecer ao movimento algum apoio público durante o protesto. 

Em 24 de novembro, na cerimônia pública de abertura do Parlamento, ativistas soltaram um banner de apoio a Horne em frente ao carro oficial da Rainha, enquanto este a levava para dentro da Casa do Parlamento. Pouco depois, dois ativistas estacionaram um carro no final da Downing Street, cortaram os pneus e, utilizando D-locks para amarrarem a si próprios pelo pescoço ao volante, enquanto manifestantes protestavam nas proximidades. 

Ativistas marcharam nos laboratórios BIBRA no sudoeste de Londres e em uma Fazenda de martas em Dorset. Na Finlândia, 400 raposas e 200 racuns foram libertados de uma fazenda de peles. Os escritórios da Research Defense Society em Londres foram atacados. Manifestações foram organizadas ao lado de fora de embaixadas e consulados britânicos ao redor do mundo, laboratórios sofreram ataques e edifícios governamentais sofreram piquetes. 

Ameaças de Morte

 
Quando a morte de Horne parecia provável, a A.R.M. emitiu uma declaração através de Robin Webb, do Animal Liberation Press Office, ameaçando assassinar quatro cientistas cujos nomes foram divulgados e outros seis que não foram nomeados, caso Horne morresse. 

Os alvos mencionados foram Colin Blakemore, um cientista britânico que estudava a visão; Clive Page, do King’s College de Londres, um professor de farmacologia pulmonar e presidente do Grupo de Ciência Animal da Federação Britânica de Biociência; Mark Matfield, da Research Defense Society; e Christopher Brown, proprietário da Fazenda Hillgrove, em Oxfordshire, que estava criando gatinhos para laboratórios. 

Para aqueles cujos nomes estavam na lista da A.R.M. foi dada imediata proteção policial que, em alguns casos, durou anos. O professor Clive Page disse à BBC que ele estava na Itália quando ouviu o seu nome na lista. Ele teve de regressar a casa para explicar a situação à sua família. “É difícil dizer aos nossos filhos: o papai vai ser assassinado'”, disse ele. A polícia instalou escutas telefônicas em sua casa ligando-as diretamente à Special Branch, ele foi aconselhado a fazer todos os dias rotas diferentes para ir ao trabalho, e ele teve que falar com as escolas dos seus filhos sobre a possibilidade de rapto. “Fiquei chocado que as pessoas deste país fariam isso contra alguém que está trabalhando efetivamente para tentar compreender as doenças humanas”, disse ele. 

A Special Branch também reforçou a vigilância a militantes e, em especial, a Robin Webb.

 

Robin Webb e o Canal 4

 

Enquanto Horne se aproximava de seu sexagésimo dia sem alimentação, cenas de um filme lançado por uma produtora independente foram mostradas no programa Dispatches do Channel 4. Os produtores do filme filmaram secretamente Robin Webb marcando encontros com um indivíduo que disse a Webb que queria organizar um bombardeio, mas que na verdade trabalhava secretamente para a equipe de produção. Na filmagem, Webb apareceu oferecendo conselhos sobre como fazer uma bomba. Quando o Canal 4 exibiu o documentário, Webb dispôs-se a discutir a violenta ação causada pela Frente de Libertação Animal, por ser firmemente ligado na mente do público com a Milícia dos direitos dos animais (A.R.M.). 

Levado de volta à prisão 

 

Perto do 63º dia, Mann escreve que Horne ficou surdo de um ouvido, cego de um olho, seu fígado estava morrendo, e ele estava sofrendo de dores consideráveis. Uma reunião foi marcada pelos seus partidários no 66º dia, a tarde, para mostrar-lhe documentos enviados por fax pelo Home Office, relativos a possíveis ofertas que o governo estava disposto a fazer. Como ele estava muito perto da morte foi combinado que, se houvesse algum conteúdo substancial entre todas as ofertas, mesmo que remotamente, Horne poria fim à greve. 

Cedo, na manhã de 10 de dezembro de 1998(o 66º dia), sem qualquer aviso prévio aos seus partidários ou familiares, Horne foi transferido do hospital de volta para a prisão de Full Sutton. O Home Office explicou que, uma vez que ele se recusava a aceitar tratamento, não havia necessidade de mantê-lo no hospital. Mann escreve que ele tinha alucinações e não conseguia mais se lembrar por que estava em greve de fome.  

Fim da greve de fome 

 

Existem duas versões sobre o porquê de Horne ter terminado a greve de fome. Mann escreve que Horne calou-se sem explicações dois dias depois de ser transferido de volta para a prisão, e foi rapidamente devolvido ao hospital. Seus amigos suspeitavam que algo aconteceu com ele durante os dois dias em que esteve de volta a Full Sutton, fora de contato com eles. Mann escreve: “O que quer que tenha acontecido com ele entre a saída do hospital e o retorno à prisão talvez nunca seja descoberto, mas todos aqueles próximos a ele suspeitavam que algo aconteceu, depois do que ele nunca foi o mesmo novamente.” 

A mídia informou que um membro do parlamento filiado ao partido trabalhista, arranjado por Michael Banner, o presidente da Comissão de Procedimentos em Animais (Animal Procedures Committee) concordou em estar presente em uma reunião com Ian Cawsey, o cabeça do Grupo Parlamentar Multipartidário sobre o Bem-Estar Animal, para discutir as práticas na experimentação animal no Reino Unido. Isto teria sido interpretado por Horne como uma concessão por parte do governo, e ele concordou em voltar a comer novamente em 13 de dezembro de 1998. 

A resposta da mídia britânica ao final da greve de fome foi hostil. Os jornais focalizaram o período em que Horne bebeu suco de laranja e chá, dizendo que a greve de fome no todo tinha sido uma fraude. Mann escreveu que os meios de comunicação transformaram os três dias em que Horne tentou estabilizar sua condição com pequenos goles de líquido doce em “68 dias de festa”.

  

 

Morte 

Hornefuneral.jpgHorne não recuperou sua condição física ou, ao que parece, sua saúde mental. Mannescreveu que ele continuou a fazer inúmeras greves de fome na prisão, sem qualquer estratégia coesa e com pouco apoio. A coisa chegou a um ponto, disse Mann, em que ninguém exceto os guardas sabia se ele estava comendo ou não. Ele morreu de insuficiência hepática em 5 de novembro de 2001, dentro de 15 dias depois de iniciar sua última greve da fome. 

A reação hostil da mídia continuou após a sua morte. Kevin Toolis escreveu no The Guardian: “Na vida ele foi um ninguém, um gari fracassado que virou firebomber. Mas em morte Barry Horne irá tornar-se o primeiro mártir da verdade do mais bem sucedido grupo terrorista que a Grã-Bretanha já conheceu, o movimento dos direitos dos animais.”


Ele foi enterrado em sua cidade-natal, Northampton, sob um carvalho em um bosque no cemitério, vestindo uma camisa do time de futebol da cidade de Northampton. Setecentas pessoas compareceram ao serviço fúnebre pagão e acompanharam o caixão por toda a cidade, carregando um banner que dizia: “Trabalhistas mentiram, Barry morreu”. 

About Alex Avancini

Alex Avancini é anti-especista e incentivador da ação pelos direitos dos animais não humanos.

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