Produto ‘verde’ ganha espaço

Cremes feitos com material orgânico ou natural atraem quem busca qualidade e consumo consciente

O consumo de cosméticos no Brasil se fortalece a cada ano. Os brasileiros gastam mais com produtos de beleza e higiene, por exemplo, do que os franceses com seus tradicionais perfumes. Não é à toa que o País ocupa a terceira posição no ranking mundial no consumo de cosméticos. Na carona desse crescimento estão produtos feitos com matéria-prima natural, com orgânicos ou a partir de produção limpa. No Ceará e nesta época do ano, de sol forte e férias, eles ganham cada vez mais espaço.

Aqui há 20 empresas formais que fabricam cosméticos. Mas o conceito de produzir com vistas à preservação ambiental é novo. De acordo com o presidente do Sindicato das Indústrias Químicas e Farmacêuticas do Ceará (Sindiquímica), José Dias de Vasconcelos Filho, o volume de venda desse tipo de produto ainda fica longe do tradicional, mas tende a crescer cada vez mais.

“O mercado refuga produtos de origem animal. Antes usavam produtos com lanolina, com derivados da tartaruga, mocotó; hoje não”, frisa. Para o empresário, a tendência é usar mais corante natural (clorofila, urucum). Corantes e conservantes artificiais são os itens que mais provocam alergia.

Por que esses produtos são pelo menos duas ou três vezes mais caros do que os tradicionais? Em geral, porque não são distribuídos em grande escala. No Brasil, há poucas empresas especializadas em produtos realmente naturais. Uma delas é a cearense Biomatika, que tem dois anos de funcionamento, 25 funcionários, mas já produz 100 mil quilos por mês, está em todos os estados e exporta para toda a União Européia.

José Dias é o diretor da empresa. “Fabricamos sabonete com óleo essencial de alecrim pimenta; sabonete infantil e creme para as mãos à base de manteiga de cupuaçu; gel de arnica brasileira; sabonete de aroeira da flora cearense; de talcos de alecrim pimenta; creme feito com óleo de buriti”.

No caso da Surya Brasil, o uso de ingredientes naturais orgânicos também

Embalagens são compostas com 30% de material plástico reciclado
Embalagens são compostas com 30% de material plástico reciclado

está na formulação de todos os produtos. A empresa também estimula a redução do uso de agrotóxicos nas plantações e valoriza o produtor consciente. Nos seus produtos, a empresa destaca que cosméticos realmente naturais não possuem ingredientes de origem animal, não são testados em animais nem utilizam parabenos na composição. Muitos dos produtos tem certificados Vegan ou Ecocert.

PESQUISA NACIONAL
51% compram mercadorias ecológicas

O Brasil é o quinto país no mundo em emissão de CO2. Um dos principais vilões desse processo é o consumo. Com base nisso, muitos brasileiros já pensam duas vezes antes de comprar produtos que agridem o meio ambiente. É o que mostra pesquisa realizada pela TNS InterScience.

Pelo estudo, 51% dos brasileiros compram produtos ecologicamente corretos, como alimentos orgânicos, artigos que possuam embalagens recicláveis, móveis feitos com madeira certificada, eletrodomésticos que consomem menos energia e roupas confeccionadas com tecidos naturais.

Outros 23% disseram que ainda não compram, mas pretendem comprar esses produtos. Para 52% dos entrevistados, o meio ambiente tem muita influência na decisão da compra. E 83% afirmam que aceitariam pagar mais por produtos ecológicos.

Na opinião do engenheiro Luiz Fernando Lucho do Valle, presidente da Ecoesfera Empreendimentos Sustentáveis, os consumidores que possuem maior senso critico, acesso à informação e que são menos resistentes a mudanças fazem parte de uma fatia do mercado que tem crescido.

São essas pessoas que fazem suas compras de forma consciente. “A consciência começa dentro de casa, ao desligar uma lâmpada, optar por usar o álcool ao invés da gasolina, comprar produtos recicláveis, ter alimentação mais saudável”.

Segundo o estudo, uma atitude aprovada pelos brasileiros é o “choice editing”, que consiste em o setor varejista realizar a seleção prévia de produtos, excluindo os que agridem o meio ambiente. Para 95% dos entrevistados essa atitude deveria ser prática comum. A maioria (92%) afirmou que daria preferência a estabelecimento que adotasse a medida. A pesquisa diz que 33% têm atitude consciente ao comprar e 37% pagariam a mais por materiais não-nocivos ao meio ambiente.

ALÉM DA PRODUÇÃO
Empresas apostam em sociorresponsabilidade

Não é só com produção de cosméticos que as empresas do setor mantêm relação direta com a preservação ambiental. Projetos voltados para ações educativas e para redução de gases do efeito estufa ganham destaque em programas sociorresponsáveis.

Com o projeto Viva o Amanhã, a Avon Brasil está reduzindo a emissão de CO2 através da modificação das rotas de distribuição. A empresa já reduziu mais de 4 mil quilos de CO2 emitidos durante o transporte, diminuindo mais de 1 milhão a quilometragem percorrida pelos veículos.

Até junho de 2009, a Avon pretende reduzir, com as rotas refeitas, pelo menos 12 mil quilos de CO2 emitidos e 4 milhões de quilômetros de percurso. Isso deve diminuir impactos ambientais provocados a partir da queima de combustível fóssil. O trabalho envolve os três Centros de Distribuição da empresa: Maracanaú (aqui no Ceará), em Osasco (São Paulo) e Simões Filho (Bahia).

Já a Natura utiliza PET reciclado em embalagens desde março deste ano. Os recipientes da linha Ekos têm em sua composição 30% do material. A empresa espera, com isso, reduzir o impacto ambiental em 15%. O material das embalagens de óleos trifásicos é produzido a partir de garrafas de PET usadas, fios, fitas e outros produtos plásticos.

DESTAQUES
Cuidado na compra dos produtos

Verificar se o cosmético tem registro na Anvisa, se está com a embalagem limpa, bem conservada, e se o produto está dentro do prazo de validade

Se o rótulo indicar, fazer a prova de toque para verificar se o produto pode dar alergia ou irritação. Mesmo sem problema, observar as advertências e restrições de uso

Sentindo-se mal ou com irritação no local de aplicação do produto, interromper o uso, lavar imediatamente o local com água corrente e procurar orientação médica

Em crianças, usar só linhas infantis registradas na Anvisa

Caso desenvolva irritação, alergia ou reação indesejada, entrar em contato com a Anvisa pelo e-mail cosmeticos@anvisa.gov.br, anexando o formulário disponível no http://www.anvisa.gov.br/hotsite/notivisa/formularios.htm.s

Marta Bruno
Repórter

About Alex Avancini

Alex Avancini é anti-especista e incentivador da ação pelos direitos dos animais não humanos.

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