Libertação animal, mas nem tanto? – Por Ronnie Lee

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Ao ler a seção relativa a organizações nacionais e locais (Revista Arkangel – Inverno de 1989), você vai perceber que incluí propositadamente informações sobre organizações ambientais como o Greenpeace, a Friends of the Earth, etc, bem como informações sobre outras entidades de proteção animal e de direito animal.
Isso porque eu penso ser importante nos informarmos sobre as mesmas, mesmo que essas entidades ambientalistas não operem à partir da “nossa premissa” de Libertação Animal de maneira mais harmônica. De qualquer forma, a atuação desses colegas têm sido muito importante no trabalho de sensibilização para a concretude de direitos animais.
Com alguma frequência, ativistas da libertação animal, muito envolvidos com a constante batalha contra temas como a vivisseção, a criação intensiva e o comércio de peles, acabam por ignorar a extensão do mal que a destruição do meio ambiente causa aos animais e ao planeta.
Laboratórios de vivisseção e as grandes fazendas podem ser considerados os campos de concentração do Reich Humano, mas são, entretanto, apenas a pontinha do iceberg. Pois quando pensamos em uma perspectiva mais ampliada, percebemos que parar com a perseguição aos animais não devolve nem a liberdade nem o espaço natural às espécies se os mesmos não existirem mais.
Seria muito importante se falássemos também do imperialismo humano, pois aos seres humanos não basta apenas ter uma fatia justa do planeta, a espécie humana parece necessitar de estar, invadir e destruir vastos territórios a mais, não respeitando o espaço das demais criaturas. Talvez as piores palvras já pronunciadas sejam aquelas creditadas biblicamente como: “crescei-vos e multiplicai-vos!”. O fim dos laboratórios de vivissecção ou das fazendas de criação intensiva não serão nunca suficiente para acabar com a injustiça e a opressão da nossa ocupação inimiga ao meio ambiente. A verdadeira Libertação Animal não requer apenas a destruição dos campos de concentração que a humanidade constrói para outras espécies, mas exige nada menos que levar o limite especial para uma fronteira próxima a antes da nossa invasão.
Então para falarmos em termos práticos isto quer dizer que o fim deve ser da poluição e também da sociedade industrial causadora de poluentes. O fim de coisas como carros particulares, de métodos de agricultura regados a pesticidas e fertilizantes artificiais. O fim das cidades e das vastas conturbações humanas deve também ser consideradas como desertos para as espécies.
Devemos debater o fim da agricultura em larga escala de maneira igualmente especial. Mas sobretudo, temos um importante debate a ser feito, que é a redução do número de seres humanos. Uma medida drástica a ser tomada é cortar o número de humanos entre as espécies. O grupo “Earth First!” estima que o nível correto para uma população humana é de 50 milhões, e hoje só na Inglaterra tem mais que esse número de indivíduos vivendo sob a sua bandeira.
A verdadeira Libertação Animal não tem a ver com uma reorganização dos excessos humanos, com a “opressão humana excessiva”, mas sim com uma mudança radical no modo de vida que levamos em seus aspectos mais profundos. A única maneira da sociedade humana ser conduzida a uma forma mais justa no tratamento à outras criaturas é aquela que é descentralizada das grandes metrópoles, com as pessoas vivendo em pequenas comunidades, ao invés de cidades conturbadas. Essas tais comunidades deveriam ser geridas de forma a empregar uma produção de pequena escala (vegan) que à partir de métodos de plantio cada vez mais integrados à dinâmica natural também reduziria a concentração humana em números reais.
O triste é que para muitos “protetores de animais” isso pode ser considerado “demais”, se levarmos em consideração que muitos querem manter seus empregos, seus carros, além de seus filhos e seus eletrodomésticos de maneira despretensiosa. Mas apenas meia libertação não existe. A campanha de Libertação Animal precisa se estender para outras áreas e aspectos que são dificilmente contemplados, como a luta contra a poluição, o processo que a tudo tende a industrializar e, sobretudo, a destruição do habitat terrestre.
Temos que trabalhar para nos posicionarmos ao lado das organizações ambientalistas “verdes”, e não apenas para que os filhos dos nossos filhos tenham um mundo (possivelmente mais justo e, portanto melhor), mas para que a liberdade e a justiça alcance a todas as espécies.


*Ronnie Lee – Fundador do grupo Band of Mercy em 1972 no Reino Unido. Também inspirador do grupo descentralizado ALF – Animal Liberation Front e editor da Revista Arkangel

About Alex Avancini

Alex Avancini é anti-especista e incentivador da ação pelos direitos dos animais não humanos.

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